2200km de supertrilha concluída no Parque Nacional da Tijuca
Voluntário conclui 2.200km da trilha de longo curso Volta ao Rio em quatro meses e diz ter retornado “muito mais otimista em relação ao ser humano”
Pioneiro no trajeto, realizado a pé, de bicicleta e de caiaque, Luiz Aragão completa o percurso no Parque Nacional da Tijuca em uma aventura marcada pela hospitalidade encontrada no estado do Rio
Rio de Janeiro, 08 de setembro de 2026 – Nesta terça-feira (08/09), após 127 dias do início da mais nova trilha de longo curso do estado, a Volta ao Rio, que passa por mais de 50 municípios, o voluntário Luiz Aragão, de 60 anos, finaliza a rota exatamente onde começou: no Parque Nacional da Tijuca. O retorno ao ponto de Primeiro caminhante a percorrer toda a rota, Aragão se ofereceu para estrear a Volta ao Rio com o objetivo de verificar a viabilidade logística da trilha de longo curso. O trajeto tem 3.500km, mas, nesta primeira viagem, ele cumpriu 2.200km deste total. As informações recolhidas pelo voluntário ao longo do trajeto – como tempo de deslocamentos, pontos de estalagem para viajantes e indicação de locais equipados com wi-fi, banheiros e disponibilidade para aluguel de caiaques, entre outras facilidades – serão compartilhadas com as equipes das instituições responsáveis pelo projeto. Mineiro residente em Taubaté (SP), Aragão iniciou a Volta ao Rio no dia 1º de maio, saindo do Cristo Redentor, que fica dentro do Parque Nacional da Tijuca, gerido pelo ICMBio. Uma de suas maiores preocupações quando iniciou a jornada era sobre como seria recebido nos lugares. “Mas nesses quatro meses, ao olhar nos olhos das pessoas mais simples, ao ver quem me abriu a porta de casa sem nem me conhecer, eu voltei a ter esperança. Volto dessa caminhada muito mais otimista em relação ao ser humano”, afirma o caminhante, que, aos 60 anos, não se considera um trilheiro profissional e mantém a forma fazendo exercícios em academia. Maior circuito de ecoturismo do Rio de Janeiro, a trilha é um forte indutor de desenvolvimento sustentável para o interior do estado. Durante o mapeamento, foram elencados uma rede de apoio local envolvendo pequenos produtores rurais, pousadas comunitárias, sitiantes e condutores de visitantes, atividades que geram renda direta para comunidades tradicionais, além de distritos rurais ao longo de todo o percurso. Com isso, detalhes como altimetria, pontos de água, opções de hospedagem, pontos de resgate e logística serão disponibilizados no site oficial do projeto, permitindo que qualquer pessoa planeje e execute sua própria caminhada com segurança. A Volta ao Rio se estabelece como uma trilha de longo curso multimodal que combina trechos de caminhada, de pedalada e de ramada com diferentes níveis de dificuldade. “O verdadeiro desafio técnico foi testar a logística da multimodalidade: alternar da bota de caminhada para o pedal e depois entrar no caiaque com mochila e tudo para remar centenas de quilômetros por rios e lagoas que pouquíssima gente navegou”, lembra Aragão, citando entre os momentos marcantes da jornada a aventura náutica que incluiu descidas do Parque Estadual do Desengano até o litoral e cerca de 100 km de navegação pelo Rio Paraíba do Sul. Além do potencial turístico e econômico para os municípios envolvidos, a consolidação da trilha serve como uma valiosa ferramenta de conservação ambiental, criando corredores ecológicos entre parques e ajudando na fiscalização ambiental em áreas isoladas do estado. O trajeto passa por áreas protegidas emblemáticas como o Parque Nacional da Serra dos Órgãos, o Parque Estadual dos Três Picos e o Parque Nacional do Itatiaia (primeiro parque nacional do Brasil), além de integrar quase 100 unidades de conservação ao longo de todo o território. O percurso inclui ainda ícones mundialmente conhecidos, como o Cristo Redentor, que fica no Parque Nacional da Tijuca, o mais visitado do Brasil, e o Pão de Açúcar, que integra o conjunto dos Morros do Pão de Açúcar e da Urca como Monumento Natural (MONA Pão de Açúcar). A Volta ao Rio evidencia o papel estratégico das Unidades de Conservação (UCs) como base da estruturação do turismo de natureza no estado, integrando, de forma inédita, áreas sob gestão federal, estadual e municipal em um único grande corredor de conectividade e visitação. Nesse contexto, destaca-se a atuação do ICMBio, responsável pela gestão das UCs federais, e do INEA, que coordena a rede de unidades estaduais, consolidando uma agenda conjunta de conservação, uso público qualificado e desenvolvimento sustentável. “A trilha é uma das melhores ferramentas para uma unidade de conservação. Onde não tem trilha e presença de pessoas, acontecem ilícitos como caça, desmatamento e gado solto. Onde a trilha passa e é utilizada, os ilícitos somem. Ter pessoas caminhando é uma forma direta de fiscalizar, proteger o meio ambiente e evitar que agressões à natureza aconteçam em locais isolados”, complementa Aragão. Idealizada e gerida conjuntamente pela Rede Brasileira de Trilhas e por instituições parceiras, a Volta ao Rio é um circuito que interliga unidades de conservação federais, estaduais e municipais, conectando paisagens que variam dos frios campos de altitude da Região Serrana ao litoral da Costa Verde e da Região dos Lagos. “O objetivo final é conectar os 92 municípios do estado do Rio de Janeiro através da rede de trilhas. A expedição de teste foi o pontapé inicial que já mobilizou mais de 50 cidades e atrai novos municípios a cada dia. Queremos dar opções para que o visitante monte seu próprio circuito e descubra o Rio de Janeiro por novos caminhos”, explica Hugo de Castro, coordenador-geral da Trilha Volta ao Rio. A expectativa é que a Trilha Nacional Volta ao Rio se consolide como o principal produto de turismo de natureza do estado (e um dos mais relevantes do Brasil), posicionando o Rio de Janeiro como referência internacional em turismo sustentável. |
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