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No mês passado visitei pela primeira vez a região de Marche, no centro da Itália. Meu marido (italiano) queria me mostrar o local onde se formou, a Universidade de Urbino. A pequena cidade de Urbino teve a sua origem no século VI, mas ganhou grande importância histórica durante o ducado de Federico da Montefeltro, no século XV. Urbino também teve grande influência no Renascimento, sobretudo por causa da importante contribuição do pintor Raffaello di Sanctis, que nasceu e viveu na cidade.

A Universidade de Urbino foi fundada em 1506 pelo duque Guidobaldo da Montefeltro (filho de Federico), o que a torna uma das universidades mais antigas da Europa. Seu campus ocupa boa parte do centro histórico de Urbino, cuja beleza arquitetônica arranca suspiros de seus visitantes e, não por acaso, foi declarado Patrimônio da Humanidade pela UNESCO. Segundo a lenda local, os estudantes da universidade não podem visitar o interior do Palácio Ducal antes de se formarem, pois se o fizerem, não conseguirão concluir os estudos. Meu marido não quis arriscar e passou anos esperando para poder visitar o palácio do duque que fundou a universidade em que estudava. Quando finalmente obteve o seu diploma, deixou de frequentar Urbino sem jamais ter entrado nas dependências do palácio, como ocorre com tantos outros estudantes. Há um mês, quando entramos no interior do Palácio Ducal de Urbino, me senti feliz por poder presenciar a emoção nos seus olhos. Meu marido finalmente estava visitando o famoso studiolo do duque Federico, com os retratos dos Homens Ilustres do Passado e do Presente, dentre os quais Platão, Aristóteles, Sant´Agostinho, Sêneca, Homero e Dante Alighieri. Nos sentamos para apreciar com reverência uma das grandes obras de Rafael, o Retrato da Mulher Gentil, mais conhecida como “A Muda” e, ao final da visita, já me sentia tão parte de tudo aquilo que foi difícil segurar as lágrimas.

De todas as viagens que fiz, de todos os lindos lugares que conheci, Urbino será sempre uma lembrança especial para mim, porque viajar é experimentar, é sentir… e em Urbino eu senti. Senti uma emoção tão grande que transpôs os muros da cidade!

Beijos,

Zélia R.

(zelia@suoviaggio.com.br)