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A vaidade das brasileiras é reconhecida e admirada em todo o mundo. Eu como boa paulistana, sempre segui à risca uma agenda média de cuidados pessoais. Manicure toda semana; pedicure a cada duas ou três semanas, dependendo da época do ano e do meu humor; e cabelereiro a cada dois meses, aliado a alguns cuidados caseiros para deixar as madeixas apresentáveis. Nunca fui uma maníaca por salão de beleza, mas tampouco uma desleixada como a louca dos gatos do seriado Simpsons. Essa foi a primeira coisa que precisei rever ao chegar na Itália.

Como não resisto a ficar muito tempo sem fazer as unhas, topei gastar o equivalente a R$ 180,00 para fazer mão e pé. Além do serviço de manicure e pedicure ser bem mais caro do que em uma grande cidade brasileira, o que me doeu mesmo foi sair com as unhas piores do que eram quando entraram! Tirar cúticula é algo impensável, lixar é sinônimo de destruir e pintar significa deixar todos os cantinhos em branco, pois não se usa limpar o excesso de esmalte após esmaltar as unhas. A traumática experiência me obrigou a fazer à italiana, ou seja, aprendi a fazer as minhas próprias unhas! Sou lenta e meu perfeccionismo me faz perder horas na nova atividade, mas me sinto realizada quando vejo as minhas unhas feitas à brasileira. Ainda não aprendi a pintar, é verdade, mas estou melhorando a cada semana para chegar lá!

A experiência negativa com as unhas me fez temer os cabelereiros, mas felizmente encontrei um cabelereiro maravilhoso, que tem sensibilidade para sugerir o que cai bem a cada cliente, respeitando os gostos pessoais de cada uma. Frequentando o seu salão, observei que as italianas, de modo geral, adoram cabelos volumosos. Eu sou a única estranha que pede uma escova simples, liscia como se diz por aqui, o que gera um certo ar de espanto. Em um determinado sábado, fiquei observando a escova que estavam fazendo em uma senhora, o trabalho ali foi longo e engenhoso, cujo resultado era similar a um ninho de pássaros. Aguardei ansiosamente pela reação da senhora, pois a sua escova era horrenda! Imaginei que ela faria um barraco quando visse no espelho que carregava um ninho de pássaros na cabeça, mas ao contrário, ficou maravilhada com o resultado, pois iria arrasar na festa daquela noite!!!

No final das contas, o grande barato de se viver em outro país, é aprender a conviver e absorver as diferenças culturais. Continuo a usar o meu cabelo como sempre usei, mas é reconfortante saber que se decidir deixar os meus cabelos indomáveis, vou arrasar na Itália!